A floral intestinal e uma esperança de controlar o Alzheimer

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Segundo o IBGE existem no Brasil cerca de 1,2 milhão de pessoas que sofrem o mal de Alzheimer, e pelo menos 200 mil (segundo a Associação Brasil Parkinson) de portadores do mal de Parkinson.

São números gigantescos, contabilizados sobretudo entre a população com mais de 60 anos de idade de todos os país.

Pesquisas médicas já demonstraram a ligação que há entre bactérias da flora intestinal (mais propriamente chamada de microbiota) e o desenvolvimento do mal de Parkinson. Mais recentemente, na Universidade de Lund (Suécia) os pesquisadores demonstraram a íntima ligação que há entre bactérias que vivem nesse ambiente corporal e o desenvolvimento do mal de Alzheimer.

A pesquisa foi dirigida pela doutora Frida Fåk Hållenius (frida.fak@food-health-science.lu.se), como diz a notícia publicada no portal da Universidade de Lund, há um ano, em 10/02/2017, sob o título “Gut bacteria may play a role in Alzheimer’s disease” (em tradução livre, “Bactérias do intestino podem desempenhar um papel na doença de Alzheimer”).

A pesquisa mostrou a interação entre o sistema imunológico, a mucosa intestinal e nossa dieta. E como o conhecimento da composição da microbiota (a flora intestinal) é importante para a pesquisa de doenças como o mal de Alzheimer.

É importante, diz aquele artigo, o conhecimento da composição da microbiota, de quais bactérias cada pessoa recebe ao nascer, tanto quanto o conhecimento de nossos genes, e da nossa dieta.

Aqueles pesquisadores descobriram que os camundongos doentes de Alzheimer, empregados na pesquisa, têm uma composição diferente de bactérias intestinais, em comparação com os camundongos saudáveis.

Estudaram também o mal de Alzheimer em camundongos que não tinham aquelas bactérias, com o objetivo de testar a relação entre bactérias intestinais e o mal de Alzheimer.

Os camundongos que não tinham aquela espécie de bactérias desenvolveram no cérebro uma quantidade significativamente menor de placa beta-amilóide, que caracteriza o mal de Alzheimer. Aquelas placas são os grumos que se formam nas fibras nervosas nos casos de doença de Alzheimer, e impedem o funcionamento normal das sinapses, que são as ligações entre os neurônios que permitem o funcionamento do cérebro.

Para esclarecer a ligação entre a flora intestinal e a ocorrência da doença, os pesquisadores transferiram bactérias intestinais de camundongos doentes para camundongos saudáveis, e descobriram que estes desenvolveram, em conseqüência, mais placas beta-amilóides no cérebro, desenvolvendo o mal d Alzheimer.

“Nosso estudo é único, pois mostra um nexo causal direto entre as bactérias do intestino e a doença de Alzheimer. Foi impressionante que os ratos que não tinham bactérias desenvolveram muito menos placas no cérebro “, disse a pesquisadora Frida Fåk Hållenius, do Food for Health Science Center.

“Estes resultados significam que agora podemos começar a pesquisar maneiras de prevenir a doença e atrasar o início. Consideramos isso um grande avanço, já que costumávamos ser capazes de apenas fornecer medicamentos anti-retrovirais para alívio de sintomas,” disse a pesquisadora.

Os pesquisadores continuarão a estudar o papel das bactérias no desenvolvimento do mal de Alzheimer, e testarão novas estratégias preventivas e terapêuticas baseadas na modulação da microbiota intestinal através de dieta e novos tipos de probióticos.

*Fonte: o texto  original pode ser consultado em https://www.lunduniversity.lu.se/article/gut-bacteria-may-play-a-role-in-alzheimers-disease

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