Angela Vireira conta sua fórmula da beleza, boa forma e felicidade

Angela-Vireira

“Você adquire uma maneira de viver e de se defender que não esquece.”

E é verdade que, na presença dessa atriz global de 56 anos, sua beleza física e seu corpo esbelto realmente impressionam. Mas, qual o segredo? É claro que fazer balé clássico desde cedo ajuda na manutenção da boa forma física – Ângela Vieira mantém até hoje a dieta balanceada dos tempos de bailarina. 

Mas foi no auge dos seus 40 anos, quando protagonizou a novela A idade da loba, em 1995, que a atriz provou de vez que maturidade e beleza podem, sim, andar juntas. Mãe de Nina, 24 anos, filha do seu segundo casamento (com o ator Roberto Frota), Angela Vieira está casada há sete com o cartunista Miguel Paiva. A atriz nos recebeu em sua casa, no Rio de Janeiro, para nos falar sobre seus 30 anos de carreira, seu casamento e o desejo contagiante de ser muito feliz.

Quando você descobriu que queria ser atriz?

Ângela Vieira – Na verdade eu tive três profissões. Comecei fazendo balé aos 5 anos e meio. Mamãe me levou por indicação médica, porque eu tinha um vício de pisar errado. Cursei a Escola de Danças e prestei concurso para o Corpo de Baile do Teatro Municipal. Paralelamente, fiz Desenho Industrial e Programação Visual na PUC. Quando me formei na faculdade, eu já estava saindo do Corpo de Baile, um pouco desencantada com a situação de que se dançava muito pouco. E também não estava querendo trabalhar com programação visual. Aí fui atrás de uma paixão antiga: o teatro. Isso foi em 1978, aos 26 anos…

E como foi a transição de atriz de teatro para atriz de TV?

Angela Vieira – Por acaso! Eu queria fazer teatro, mas fui acompanhar uma amiga ao programa Planeta dos homens, que precisava de modelos. Aí o diretor, que era casado com uma bailarina do Teatro Municipal e já me conhecia, perguntou se eu não queria trabalhar como atriz no quadro de uma bailarina oriental. Achei engraçado e fiz. Quando terminei de gravar, ele veio com o roteiro do programa seguinte e disse: “Tem um quadro para você falar.” Era um bordão do Agildo Ribeiro que dizia “perguntar não ofende”. Acabei fazendo um ano de programa. E em 1979 estreei no teatro. Aí não parei mais.

As opções saudáveis de alimentação, do cuidado com o corpo e com a beleza que você faz são seguidas pela Nina e pelo Miguel?

Ângela Vieira – Mais do que nunca pela Nina, que é atleta de vôlei de praia. Ela tem até o acompanhamento de uma nutricionista para poder se alimentar corretamente e obter força e pouca gordura no corpo. Acontecia o mesmo comigo. Só que na minha época não existia Medicina do Esporte. Minha mãe foi meio pelo instinto, porque uma bailarina precisa ter força muscular e ser leve. E o que eu tinha de fazer? Uma alimentação saudável, balanceada, rica em uma série de nutrientes e pobre em outras tantas opções, justamente para ter o condicionamento ideal. Fui habituada a comer assim desde pequena. Então fui ficando cada vez mais seletiva. E o Miguel também. Ele sempre se alimentou bem. Quando a gente se casou, tínhamos mais ou menos os mesmos hábitos. A gente freqüenta a mesma academia, e eu me trato há 14 anos com uma fitoterapeuta que também é endocrinologista. Nesse período, entrei na menopausa, fiz reposição hormonal. Uma coisa é ligada à outra. Eu me alimento bem, mas cuido muito bem da minha saúde.

Mas o que você come?

Ângela Vieira – Grãos, verduras, legumes, queijo, ovos e carnes, todas elas. Só evito farinha de trigo, enlatados e frituras. Mas se você me perguntar qual o meu prato preferido, vou responder: feijoada! Só não faço dela o meu hábito alimentar.

Você gosta de doces?

Ângela Vieira – Não é que eu não goste, só não tenho fissura por doces. Minha família toda é assim. Mas ultimamente minha mãe teve um problema grave de saúde há quatro meses e eu fiquei bastante mobilizada. Comecei a ficar um pouco ansiosa e vi que estava procurando sobremesas.

O que você acha de algumas mulheres que exageram nos tratamentos estéticos em busca da beleza e da perfeição?

Ângela Vieira – Muito ruim. Acho que a “mulherada” está exagerando nos tratamentos estéticos sim. E deve ser difícil para um profissional dizer “não, eu não vou fazer isso no seu rosto, porque não vai ficar bonito”. Prefiro uma ruga a algo que não harmonize com o rosto. Às vezes você não consegue tirar os olhos de uma boca com uso exagerado de botox. É feio!

E o Miguel? É vaidoso?

Ângela Vieira – Às vezes digo “Miguel, tá na hora de cortar o cabelo”; ele responde “não, tá bom assim”. Esse tipo de vaidade ele não leva às últimas consequências, mas, com a saúde, ele é muito vaidoso.

Você passa a imagem de ser uma pessoa feliz, equilibrada e bem-sucedida na carreira. Falta alguma coisa?

Ângela Vieira – A gente sempre acha que falta. Eu me considero uma pessoa de sorte, principalmente, porque nunca estive em situações-limite. Agora mesmo com essa história do problema de saúde minha mãe. Ela teve um AVC. Aos 84 anos, era uma mulher independente, com saúde de ferro. Em termos de doença, foi a primeira vez que algo me assustou. Daí eu pensei: cheguei aos 56 anos sem nenhum problema grave de saúde. Consegui aos 26 anos começar uma profissão da qual sobrevivo até hoje com dignidade; iniciei aos 50 anos um romance que está dando muito certo; a minha filha, que me arrancou os cabelos na adolescência, deu uma guinada e voltou para o voleibol. Então, a minha vida é uma vida boa, feliz!

Quando se olha no espelho, quem você vê?

Ângela Vieira – Sou filha única, e depois que me separei do pai da Nina fiquei cinco anos sozinha. Você adquire uma maneira de viver e de se defender que não esquece. Agora, nessa confusão toda do problema de saúde da minha mãe, às vezes o Miguel me diz: “Ângela, pede ajuda. Estou aqui, pode pedir.” E eu esqueço. Então olho pra mim e acho que preciso ser mais humilde, não me achar tão auto-suficiente, porque isso vira prepotência, e não é a minha intenção. Mas, ao mesmo tempo, fico feliz de ter podido dar conta do recado.

Você é mística? Espiritualizada?

Ângela Vieira – Não. Sou curiosa. Uma época andei lendo sobre filosofia budista, mas não sigo uma religião. Mas sou louca pelo Arcanjo Miguel! Não me pergunte por que e de onde vem isso, que nem eu sei.

Você tem uma aparência maravilhosa, uma beleza e uma forma física invejada pelas mulheres mais novas e de certa maneira por todos que buscam amadurecer bem. Como você se vê mais velha? Isso te incomoda?

Ângela Vieira – Não. Sempre achei que a gente n&atilddee;o poode brigar com o inevitável. Se eu pudesse não envelhecer, é claro, seria ótimo. Mas não adianta lutar contra o tempo. É preciso fazer um bom conchavo com ele. Como eu posso ficar bem? Cuidar da minha saúde, tentar prolongar a boa aparência, tentar realmente ser feliz. Hoje, eu não faço coisas que faria aos 30 anos, mas estou fazendo coisas ótimas. E vou descobrir outras aos 60, 70… Sempre cito a Glória Menezes, que é minha amiga e um exemplo de vitalidade, otimismo, e de como a vida pode ser boa aos 73 anos. Ela é maravilhosa! Então, é uma questão de escolha. Para onde você vai se direcionar? Para a tristeza de envelhecer ou a alegria de poder envelhecer bem?

Fonte: Liane Mufarrej – Seleções

 

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