Cientistas descobrem composto que imobiliza célula do câncer e impede metástase

Uma nova pesquisa, que foi publicada na revista “Nature Communications” abre novos caminhos, para impedir que o câncer se espalhe para outras áreas do organismo.

Em uma estratégia inédita, cientistas “congelaram” a célula cancerígena, para que ela não se movimentasse.

Trata-se de uma mudança de perspectiva na luta contra o câncer, dizem os cientistas. Pois atualmente, os esforços têm se concentrado mais em matar o tumor na maior parte das pesquisas em oncologia.

Os testes foram feitos com a molécula KBU2046, composto que inibiu o movimento de células do câncer em quatro diferentes tipos de células do câncer humanas: câncer de mama, próstata, colorretal e pulmão.

Cientistas descobrem composto que imobiliza célula do câncer
O cientista Raymond Bergan e equipe, em laboratório no Instituto OHSU Knight Cancer, no estado de Óregon (EUA) — Foto: Kristyna Wentz-Graff/OHSU

“O movimento é a chave. Se as células cancerígenas se espalharem por todo o seu corpo, elas vão tirar sua vida. Podemos tratar, mas esse movimento vai tirar sua vida”, diz em nota Raymond Bergan, professor de oncologia médica no Instituto OHSU Knight Cancer (EUA).

“Estamos estudando uma maneira completamente diferente de tratar o câncer”, conclui Bergan.

O cientista explica que ele e a sua equipe fizeram diversos estudos na química, para pensar um composto que só inibiria o movimento de células do câncer e não tivesse nenhum outro efeito em células saudáveis.

Cientistas descobrem composto que imobiliza célula do câncer e impede metástase
Fonte: Pixabay/Creative Commons/Qimono

Substância bloqueia proteína associada ao movimento

 

Bergan também cita, que o laboratório de Karl Scheidt, professor de química e farmacologia da Universidade de Northwestern, foi o responsável por pensar em novos compostos que pudessem impedir a motilidade de tumores. O grande desafio, era encontrar substâncias com poucos efeitos colaterais.

“Começamos com uma substância química que impedia as células de se moverem. Depois, sintetizamos o composto várias vezes, para que ele fizesse um trabalho perfeito de parar as células sem efeitos colaterais”, diz Karl Scheidt, em nota.

Scheidt explica que o KBU2046 se liga a proteínas das células de forma específica, para somente impedir o movimento. Não há outra ação sobre as estruturas celulares, o que diminui os efeitos colaterais e a toxicidade. “Levamos anos para descobrir”, comemora, em nota.

Pesquisadores almejam que a droga possa ser administrada em cânceres iniciais, para diminuir ao máximo que o tumor se espalhe para o resto do corpo e o paciente tenha um tumor intratável no futuro.

Cientistas estimam que serão necessários dois anos e US$ 5 milhões, para que os primeiros testes sejam realizados em seres humanos.

Fonte: G1

Notícias mais lidas

Leia Também